Porcentagem da consignação no brechó: como definir o repasse
Quando alguém deixa peças em consignação, a primeira pergunta é “quanto eu fico?”. A resposta é o percentual de repasse: a parte do valor de venda que volta para a consignante. Não existe um número obrigatório. Acordos como metade para cada lado são comuns, mas o percentual certo é o que cobre os custos do seu brechó e ainda faz sentido para quem traz as peças. Este artigo mostra o que considerar e como deixar o combinado claro.
O que o seu lado do percentual precisa pagar
A parte que fica com o brechó não é lucro: é ela que paga o trabalho de receber, avaliar, higienizar, fotografar, etiquetar, expor e vender a peça. Antes de decidir o percentual, some o que o brechó gasta por mês e veja quanto precisa sobrar de cada venda:
- aluguel, luz e internet do espaço;
- quem atende e quem cuida da curadoria (inclusive o seu tempo);
- taxas da maquininha e dos meios de pagamento;
- lavanderia, pequenos reparos, cabides, etiquetas e sacolas;
- anúncios e fotos para as redes sociais.
Se o percentual do brechó não cobre essa conta no volume de vendas que você tem, nenhuma quantidade de peças resolve.
Um percentual para todas ou um por consignante?
Um percentual único é mais simples de explicar. Mas há bons motivos para variar:
- Peças de marca ou de alto valor costumam girar com menos esforço de venda por real vendido.
- Lotes grandes dão mais trabalho de triagem.
- Consignantes antigas, que trazem peças boas e bem cuidadas, merecem condição melhor.
Se variar, anote o percentual em cada peça no momento da entrada. Assim, se o acordo mudar no meio do caminho, as peças antigas seguem a regra antiga e ninguém discute.
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Como o desconto entra na conta
Desconto é o ponto que mais gera dúvida. Há dois jeitos comuns de combinar:
| Acordo | Como funciona | Exemplo (peça de R$ 100, vendida por R$ 80, repasse de 50%) |
|---|---|---|
| Repasse sobre o valor vendido | O desconto divide entre as duas partes. | Consignante recebe R$ 40,00 |
| Repasse sobre o preço combinado | O brechó assume o desconto. | Consignante recebe R$ 50,00 |
O primeiro é o mais usado porque o brechó não paga do próprio bolso uma liquidação. Seja qual for o escolhido, escreva no combinado e no extrato apareça sempre o valor real da venda.
Prazo: o que acontece quando a peça não vende
O percentual vem junto com o prazo. Combine quanto tempo a peça fica exposta (por exemplo, 60 dias) e o que acontece depois: baixar o preço, renovar o prazo ou devolver. Sem prazo, a arara enche de peças que não giram e a consignante não sabe se a peça dela ainda está lá.
Como deixar o combinado claro
Um combinado curto, por escrito, evita a maior parte das conversas difíceis. Ele costuma ter:
- o percentual de repasse (e se ele varia por tipo de peça);
- se o repasse é sobre o valor vendido ou sobre o preço combinado;
- o prazo de exposição e o que acontece depois dele;
- quando é o fechamento (por exemplo, todo dia 5, com as vendas do mês anterior) e como o pagamento é feito;
- como a consignante acompanha: extrato a cada fechamento.
Para dúvidas sobre contrato e impostos da sua operação, converse com o seu contador. O que este guia cobre é a parte prática: a conta e a clareza.
Extrato: o percentual na prática
O percentual só gera confiança se a consignante consegue conferir. Mostre no extrato, peça por peça, o valor da venda, o percentual e o repasse. Quando a conta é visível, a conversa muda de “será que está certo?” para “quando vem o próximo?”.
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Criar minha contaPerguntas rápidas
Existe um percentual padrão de consignação?
Não há regra. O percentual certo é o que cobre os custos do brechó e faz sentido para quem traz as peças. Acordos como metade para cada lado são comuns, mas variam.
Posso ter percentuais diferentes por consignante?
Pode. Anote o percentual em cada peça no momento da entrada, para que mudanças de acordo valham só para as peças novas.